domingo, 20 de abril de 2008

Perdas e ganhos na doença

Perdi muitas coisas com esta situação de doença. Perdi coisas pessoais. Quase não tenho privacidade. Meu quarto não tem chave. Os enfermeiros e enfermeiras entram e saem. Preciso de ajuda para ir no banheiro... até para tomar banho. Mas uma coisa não perdi e ninguém pode tirar... a fé que eu tenho. Ela tem me sustentado. Não é fácil querer ir no banheiro e precisar de alguém para descer da cama. Quase não dou conta do meu próprio corpo. Isso incomoda. A gente se sente invadida. O médico pergunta tudo, nos mínimos detalhes. E é importante ser sincera para que o tratamento corra bem. A única coisa que fica mesmo é o mais íntimo do meu coração... minha fé. Cada vez que a porta se abre e o ministro vem trazer a comunhão eu sinto que ainda estou aqui, apesar de tudo. Nem parece verdade. Já passei por maus bocados. Em alguns momentos pensei que era o fim. Mas a minha relação com Deus não mudou. A fidelidade dele comigo permanece a mesma. Sinto-me privilegiada de receber a comunhão quase todo dia. Hoje tivemos missa. Pe. Joãozinho veio me visitar e celebrou para a gente. Chovia muito. Foi um momento de graça. Ele disse que Jesus realizou muitos milagres resolvendo problemas humanos como a doença. Mas nenhum daqueles doentes viveu para sempre. Estes milagres terrenos tem prazo de validade, como os remédios. Mas a fé não. Ela nos leva diariamente para o céu. Por isso tenho certeza de que estou vivendo o paraíso por antecipação. Sei que parece mais um purgatório. Um hospital não se parece muito com a imagem que temos do céu com anjinhos e festa eterna. Mas alguma coisa aqui neste Hospital São Judas é bem celestial. Há um batalhão de voluntários e voluntárias. Eles fazem comida e são realmente uma graça diária. Não tem jeito de me sentir sozinha. Aqui é uma grande família. Por isso é conhecido como o Hospital do Amor. Conhecer este paraíso é um dos ganhos que eu não teria sem esta doença. Outras coisas nem sei falar. São coisas que sinto espiritualmente. Sei que algumas pessoas entram sempre aqui no BLOG e aproveitam para rezar e torcer por mim. Continuo acreditando na vida. Deus pode surpreender a todos. Mas não se esqueça... todos nós morreremos um dia. O que importa é nunca perder a fé, pois ela é chave que abrirá nosso quartinho lá em cima... quando Deus quiser!

sábado, 5 de abril de 2008

CADA MINUTO É UMA VITÓRIA

Existe um salmo que diz: Ensinai-nos a bem contar os nossos dias! Teve um tempo em que eu contava meu aniversário a cada 365 dias e cantava: "Parabéns a você..." Depois que descobri minha doença comecei a contar a vida por meses. Já são tres meses de luta, de dezembro até agora. Ultimamente,desde que fiquei internada e passei pela quimioterapia, estou contando cada minuto como uma grande graça... uma vitória.
O Hospital São Judasé um lugar destinado a cuidados paleativos... O objetivo principal deles é não deixar as pessoas sentirem dor enquanto se prepararm para mais um tempo de quimioterapia. Muitos não resistem. Alguém poderia chamar este lugar de Hospital da Morte. Não é verdade. Aqui tem muita vida. Os enfermeiros e enfermeiras, os médicos, funcionários, voluntários... tudo aqui forma uma grande família. Meu quarto agora é bem legal. Tem banheiro privativo e ar condicionado. Não me falta nada. Recebo muitas visitas e minha mãe est[a o tempo todo comigo.
Estes dias fiquei muito feliz pois recebi a visita do Pe. Joãozinho, que me encaminhou para este lugar e abriu muitas portas.Junto com ele estava minha amiga Cláudia, que foi quem me recebeeu em São Paulo quando cheguei do Japão. Foram dias de muita felicidade. Tivemos uma missa e até um grande momento de louvor e bênção com todo o Hospital.
Um dia antes tive uma crise que pode ter sido provocada por remédios ou pelo próprio tumor. Tem acontecido muito. Suporto com paciência e espírito de fé. Cada minuto é uma vitória.
Logo em seguida tive uma experiência maravilhosa. Quando comecei a quimioterapia, iniciei uma novena para Santa Terezinha do Menino Jesus, que morreu com minha idade de problemas pulmonares... parecido com o que tenho. Ela é intercessora pelos doentes de pulmão. Neste dia que ainda passava meio mal, um dos noviços da Cidade de Maria, sem saber da novena,me trouxe uma rosa. Senti como um sinal de confirmação de que Santa Terezinha reza por mim. Fiquei muito emocionada. Ainda agora me emociono quando penso que o céu torce por mim.
Hoje me senti um pouco melhor e resolvi escrever. Agora tenho acesso a Internet no Hospital.Isso é mais uma graça. Nem vou agradecer...pois a lista seria enorme. Rezo por todos e ofereço meus sofrimentos pela santificação dos sacerdotes.